O engasgado luta para respirar.. o coiso se torna peso, pesa estômago, causa nojo, asco, mas necessário.. Ahh nutrição. A digestão é lenta e
problemática. Cheia de dores.
A digerida busca desesperadamente integrar-se.. quer proteção mas não. Vive pra nutrir, pra sustentar. Feita pra isso, educada, mas descobre que não. Frágil demais pras enzimas. e se resolver voltar? pra onde? pro mundo?! Volta resto, vômito, vomito. Comida e vomitada. Se antes não absorvida, quem agora vai? Os restos de uma digestão interrompida. Desumaniza, desanimaliza, vira coisa, resto de coisa, não ganha nem nome. Des anima, des alma.
Serei eu fadado a sofrer assim toda vez que um beijo
me deixar a duvida?! Ou devoro ou sou comido? Com meus caninos rasgo a pele, músculo e vísceras?! Ou se meus ossos vão se derreter com charme no estômago alheio?!
O desejo do beijo antropofágico e se devora..
O querer ser um com o outro.
Ah vontade de me integrar!!!
Saber
tudo: o que é, oque quer, o que acha.
O ego não suporta o outro...
inda mais outro livre..
Não aguenta nem a si
O eu quer devorar, destruir, digerir
e por fim reinar o outro.
O outro engolido desiste do ser,
Deseja esse
corpo que protege mas no fundo anseia pelo vomito.
Pela volta.
Chamamos isso de amor, sras e senhores, mas isso é digestão.
É antropofagia, é comer o corpo e beber o sangue do seu deus, para que o outro
habite em vc.
Amor é outra coisa
“Somos animais completamente diferentes uns dos outros...”
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