quarta-feira, 29 de abril de 2015

Revolução dos Restos


O engasgado luta para respirar.. o coiso se torna peso, pesa estômago, causa nojo, asco, mas necessário.. Ahh nutrição. A digestão é lenta e problemática. Cheia de dores.

A digerida busca desesperadamente integrar-se.. quer proteção mas não. Vive pra nutrir, pra sustentar. Feita pra isso, educada, mas descobre que não. Frágil demais pras enzimas. e se resolver voltar? pra onde? pro mundo?! Volta resto, vômito, vomito. Comida e vomitada. Se antes não absorvida, quem agora vai? Os restos de uma digestão interrompida. Desumaniza, desanimaliza, vira coisa, resto de coisa, não ganha nem nome. Des anima, des alma. 

Serei eu fadado a sofrer assim toda vez que um beijo me deixar a duvida?! Ou devoro ou sou comido? Com meus caninos rasgo a pele, músculo e vísceras?! Ou se meus ossos vão se derreter com charme no estômago alheio?!
 
No desejo de se integrar fisicamente um com o outro, ambos se destroem num processo angustiante de ânsia de vomito e digestão das partes.
O desejo do beijo antropofágico e se devora..
O querer ser um com o outro. 
Ah vontade de me integrar!!! 
Saber tudo: o que é, oque quer, o que acha. 
O ego não suporta o outro... 
inda mais outro livre.. 
Não aguenta nem a si 
O eu quer devorar, destruir, digerir 
e por fim reinar o outro.

O outro engolido desiste do ser,
Deseja esse corpo que protege mas no fundo anseia pelo vomito. 
Pela volta.



Chamamos isso de amor, sras e senhores, mas isso é digestão. É antropofagia, é comer o corpo e beber o sangue do seu deus, para que o outro habite em vc.
Amor é outra coisa

 

“Somos animais completamente diferentes uns dos outros...”

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